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Alfredo Nicolaiewsky - A Ira de Deus
30 setembro - 21 outubro

Prequelas e sequelas de Alfredo Nicolaiewsky em dez minutos

De cinco a dez minutos é o tempo médio que um leitor dispensa para ler um texto desse tamanho. Vou tentar nesse curto espaço/tempo expor a obra recente de Alfredo Nicolaiewsky. Natural de Porto Alegre ele tem um currículo de quarenta e cinco anos de intensas atividades artísticas e profissionais como artista, professor e administrador público. A atual exposição na Galeria Gestual é o resultado de um ano de trabalho desenvolvido durante seu estágio sênior na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, como bolsista da CAPES. O livro que será lançado na abertura da mostra é o registro e a reflexão sobre essa produção, lançando um olhar retrospectivo sobre os seus últimos anos de atividades artísticas e vem complementar outro livro de sua autoria, “Alfredo Nicolaiewsky – Desenhos e Pinturas”, publicado pelo Funproarte em 1999.

Arquiteto de formação, a obra de Nicolaiewsky desenvolveu-se inicialmente no desenho, onde alcançou o reconhecimento e a admiração da crítica e dos seus pares, mas a inquietação criativa, uma característica inerente aos artistas vocacionados, levou-o à pintura na década de 1980 e 1990, às gravuras, de modo intermitente em todo esse período e, finalmente, na década de 1990, ele chegou à fotografia, promovendo um salto de qualidade e inventividade na sua carreira. A esse domínio ele dedicou parte considerável de sua energia criativa, processo que culminou com sua tese de doutorado intitulada “Da ordem do enigma”, defendida na UFRGS no ano de 2003. Desde então sua obra se multiplicou em proposições e abordagens, inicialmente com fotografias analógicas e, nos últimos anos, com imagens digitais, na sua maioria oriunda de filmes.

Se falar de obras de artes visuais é, a priori, um exercício fadado ao fracasso, já que qualquer discurso jamais substituirá a potência de uma imagem, a visita à exposição é um exercício obrigatório para os que tiverem a curiosidade de conferir sua obra. Mas o livro que Nicolaiewsky estará lançando, no mesmo momento, permite um olhar demorado sobre essa produção. Essa outra obra do artista, responsável pelo texto e pelas imagens, tem o curioso título de “Alfredo Nicolaiewsky e a Ira de Deus: suas prequelas e sequelas” (Editora da UFRGS). São termos que dizem respeito à pesquisa acima referida, desenvolvida em Portugal. Se suas pesquisas anteriores e os trabalhos resultantes estão arrolados na prequela, foi a partir das inúmeras narrativas visuais, históricas e literárias sobre o fatídico “terramoto” de Lisboa de 1755, que ele associou aos dramáticos eventos da vida portuguesa (como o maremoto do mesmo ano e o trágico incêndio do Chiado de 1988), que deram origem ao grandioso tríptico, que ele denominou de “A Ira de Deus”.

Ao tríptico seguiu-se a série de trabalhos arrolados como “sequelas”, termo comum aos dois países, mas que em Portugal é utilizado no sentido preciso de aquilo que vem depois de algo. As obras da exposição “A Ira de Deus – sequelas” têm por característica a junção de imagens digitais produzidas pelo artista associadas a imagens oriundas de filmes. São conjuntos de caráter expositivo (não usamos narrativas, pois é termo por demais preciso) que promovem, através do excepcional domínio do artista, uma cuidadosa construção de imagens plenas de possibilidades interpretativas, resultado da maestria da sintaxe construtiva que vem a par do domínio preciso do léxico das imagens. São conquistas resultantes de mais de quinze anos de pesquisa, resultado que podemos considerar uma culminação do seu trabalho nessa área.

Desse modo, em a “Ira de Deus - sequelas”, Alfredo Nicolaiewsky nos dá, nessa sua primeira mostra individual em dez anos, a sua percepção do dia a dia pós “A Ira de Deus” (o tríptico), na verdade sua percepção dos dias de hoje. É a oportunidade de ver e ler sobre a obra de um artista de amplo reconhecimento nacional e internacional, com obras em importantes museus e coleções privadas e que justifica toda a deferência a ele pela intensa e cuidadosa dedicação a uma carreira marcada pela acuidade intelectual, pela precisão formal e pela inegável atualidade.

                                                                                                                                           
Paulo Gomes                                                                     
 Professor do Instituto de Artes da UFRGS

 

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